segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Um Olhar sobre as Exposições Indígenas: Avaliação de algumas exposições do Museu do Homem Sergipano


Um Olhar sobre as Exposições Indígenas: Avaliação de algumas exposições do Museu do Homem Sergipano1
1 Artigo apresentado no III Colóquio do GPCIR: Intercâmbio Institucional: saberes e fazeres historiográficos. São Cristóvão, 2012.
2 Monitora do III Colóquio do GPCIR: Intercâmbio Institucional: saberes e fazeres historiográficos. São Cristóvão, 2012.


Autora:

Bárbara Barbosa dos Santos2
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe, bolsista do PIBID e Membra da Comissão de Estudos Índios em Sergipe, Grupo de Pesquisa Cultura, Identidade e Religiosidade.

Co-Autora:

Damilis Silveira Viana
Graduanda em História pela Universidade Federal de Sergipe, estagiária no Museu do Homem Sergipano e membra da Comissão Pró-MUHSE.

Orientadora:
Verônica Nunes
Licenciada em História/UFS, Mestre me Memória Social e Documento/Uni-Rio. Professora do Núcleo de Museologia/UFS. Diretora do Museu do Homem Sergipano. Aracaju/Sergipe, Brasil.


RESUMO:

O Museu do Homem Sergipano possui uma quantidade de exposições temporárias, tendo como suporte o papel. Estas são resultantes das pesquisas do Setor de Antropologia, do antigo Departamento de Psicologia e Sociologia, da Universidade Federal de Sergipe. As exposições, criadas pelo Setor de Antropologia abordam diversos temas, entre eles: índios, negros, religiosidade e cultura popular. Em parceria da Comissão Índios em Sergipe com o Museu do Homem Sergipano, iniciou-se o trabalho de avaliação e catalogação das exposições com temática indígena. Este artigo é resultado da análise de cinco exposições, que utiliza alguns critérios para classificar quais exposições poderão ser transferidas do suporte original para um que permita melhor armazenamento e transporte.

 
Palavras-chave: Exposições; Museu; índios; Avaliação.
 
ABSTRACT:

The Sergipe Museum of Man has a number of temporary exhibitions supported by papers. These are the result of research executed by Department of Anthropology, the former Department of Psychology and Sociology, from Federal University of Sergipe.

The exhibition created by the Department of Anthropology discusses various topics, including: Indians, Blacks, religion and popular culture. In partnership of Commission Indians with Sergipe Museum of Man, it began work on evaluation and cataloging of the exhibits with indigenous issues. This article is the result of analysis of six exhibitions, which uses some criteria to classify which exposures may be transferred from the original medium that allows for a better storage and transport.


Keywords: Exhibitions; Museum; Indian; Evaluation.
 
1- Introdução:

Este estudo trata da análise e catalogação de parte das exposições com temática indígena que fazem compõe o acervo do Museu do Homem Sergipano (MUHSE). Porém, apesar das exposições estarem localizadas no MUHSE, antes de discorrer sobre as mesmas é necessário situá-las no contexto em que foram produzidas.
Anteriormente ao século XX, os museus brasileiros se inspirando nos modelos de museus da Europa, eram compostos por coleções ecléticas. Porém, seguindo o contexto da especialização do conhecimento nos últimos 25 anos, é crescente a preocupação em tornar as exposições cada vez mais dinâmicas e didáticas. Desse modo a visita ao museu passa a ser mais interativa, pois os visitantes tendem a fazer percursos individualizados, a escolher o que mais lhe interessa e assim as exposições atendem a variados públicos.
Como afirma a Profª Priscila Freire3,


3 Coordenadora do Sistema Nacional de Museus-MINC-SPHAN/Pró-Memória, no ano em que a mesma fez a Apresentação do livro.


"O mundo se redescobre a cada dia. Novas perspectivas inauguram caminhos. O museu redimensiona-se. Antes passivo, ordena-se ativo. Não mais o objeto em si, mas o resumo histórico. (...). O museu reajusta sua função didática. Faz coincidir o estético e o pedagógico. Conceitua-se no contexto histórico e por área geográfica. Cada museu responde a algum aspecto do saber humano. Concentra-se, especializa-se e torna-se antagonicamente, mais amplo. O método visual é a sua linguagem."
(FREIRE, 1988, p.8)

 
Na busca em atender a expectativa desse público diverso, os museus passaram a utilizar inúmeras maneiras de transmissão de informações, por exemplo: uso de cores contrastantes; objetos sugestivos e recentemente, tecnologia em multimídia. Sendo assim, a visão tradicional de museu foi alterada. Ao receberem visitantes com diversos interesses e níveis de conhecimento, as exposições devem ser constantemente avaliadas, exigindo que os curadores, museólogos, designers e educadores dinamizem as exposições de acordo com o resultado dessa análise.


2- Um museu, suas dificuldades:

É nesse novo contexto museológico que surge a proposta de criação do Museu de Antropologia (MUSA) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Embora o museu tenha sido criado no papel desde 1978, na verdade nunca conseguiu um espaço adequado para suas instalações e funcionamento condigno (DANTAS, 1990, p.2).

As exposições estudadas são resultados das pesquisas do Setor de Antropologia, que encontraram na produção de exposições itinerantes um modo de contornar a ausência de espaço físico, levando à sociedade o resultado de estudos sobre índios; negros; rituais folclóricos; paleontologia e arqueologia.
Em 1983 o Museu de Antropologia ganha um espaço no Centro de Cultura e Arte (CULTART/UFS) que passou a se chamar "Sala de Cultura Popular". Apesar de ter sido dispensado um espaço ao MUSA, as exposições continuaram a ser itinerantes. Em 1988 a Sala de Cultura Popular, deixa de funcionar, o acervo retorna ao Campus Universitário onde foi destinado um espaço no Centro de Ciências Biológicas e Saúde e o Museu passou a ser denominado Núcleo Museológico. Em 1996 passou a ser chamado de Museu do Homem Sergipano (MUHSE), ocupando o espaço da antiga Faculdade de Ciências Econômicas, localizada na Praça Camerino.
Depois de oito anos, o MUHSE muda para a antiga Faculdade de Serviço Social, situada na Rua de Estância, nº 208, onde funciona atualmente. O edifício onde se encontra o Museu está na área abrangida pelo Plano Diretor de Aracaju, porém ainda

não foi tombado. Desde maio de 2011, o Museu do Homem Sergipano, encontra-se fechado ao público, e foi interditado por apresentar problemas estruturais no prédio.
Nesse sentido, a UFS vem tomando as medidas cabíveis como, por exemplo, os estudos para a elaboração do projeto arquitetônico. Porém, mesmo estando fechado à visitação, o MUHSE recebe estudantes para pesquisas, pois dispõe de um acervo documental e uma biblioteca com inúmeras obras. Destaca-se o fato de este artigo ser fruto de uma pesquisa que está ocorrendo no Museu do Homem Sergipano enquanto o mesmo continua fechado.


3- Comissão de estudos Índios em Sergipe e sua contribuição ao MUHSE:

Esta Comissão está ligada ao Grupo de Pesquisas Cultura, Identidade e Religiosidades- Departamento de História- UFS. E originou-se como consequência de uma atividade de extensão de um grupo de estudantes orientados pelo Profº Drº Antônio Lindvaldo Sousa4


4 Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe; Bacharel em História pela Universidade Federal de Sergipe; Mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais; Doutor em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.


5 Antropóloga, escritora e pesquisadora. Professora aposentada da Universidade Federal de Sergipe.


Além da proposta de aprofundar os estudos sobre os índios sergipanos, havia o interesse de levar a diante os trabalhos da antropóloga e professora Beatriz Góis Dantas já que a mesma dedicou anos de pesquisas e tem várias publicações sobre o tema. Em parceria da Comissão de estudos Índios em Sergipe com o Museu do Homem Sergipano foi iniciado o trabalho de classificação e análise das exposições com a temática indígena, realizadas pelo Setor de Antropologia- UFS.


4- A temática e avaliação das exposições

Temática
Com a parceira do MUHSE e a Comissão Índios em Sergipe, foi proporcionado um levantamento das exposições, contabilizando treze (13) com temática indígena. Desse total, são trabalhadas neste artigo, cinco delas serão avaliadas.
As exposições com o tema indígena exprimiam a situação destes povos na época, como cita a Professora Beatriz Góis Dantas5:

5
"No final da década de setenta, no bojo de um movimento geral em que as minorias ganham visibilidade na sociedade brasileira e começa a reivindicar direitos, os Xokó, a exemplo do que ocorre com muitos outros índios do Nordeste, encetam um processo de reetnização que envolve a luta pela posse de terra e a busca de reconhecimento de sua identidade étnica como garantia de direitos assegurados pela Constituição". (DANTAS, 1995, p.3)


Fez-se um contraponto entre a realidade dos grupos indígenas, em âmbito nacional, com a situação do povo Xokó

em Sergipe. Pois, estes são últimos povos indígenas que vivem em aldeia no estado.
6 Índios que habitam uma aldeia localizada na Ilha de São Pedro-Porto da Folha/SE.
7 Autora da Dissertação de Mestrado em Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo, 1995.


O objetivo era mostrar quem era e como vivia os atuais Xokó da Ilha de São Pedro, município de Porto da Folha em Sergipe e, ao mesmo tempo, informar sobre a história do grupo, as pressões que levaram à negação da existência de índios no bojo de uma ideologia assimilacionista e de expropriação de terras das aldeias. No centro das discussões estavam questões como mestiçagem, cultura e identidade étnica trabalhadas de modo a desvincular a noção de grupo étnico como algo fixo e imutável. (DANTAS, 1995, p. 4)


Avaliação:
A avaliação das exposições, que se encontram no Museu do Homem Sergipano, atende a uma metodologia que analisa alguns critérios como: proposta conceitual; linguagem de apoio (linguagem verbal; linguagem iconográfica; títulos; textos; etiquetas); e relação museu-escola. Tal forma de avaliação baseia-se na proposta contida na Dissertação de Mestrado de Adriana Mortara Almeida

7, porém os critérios utilizados neste artigo foram adaptados para a realidade do presente estudo.
 
a) Xocó Hoje-1981
Objetivando a discussão e reflexão da realidade da aldeia Xokó após a retomada da Caiçara, o Museu de Antropologia criou a exposição Xokó Hoje. Para a produção desta exposição foi feito levantamento populacional, entrevistas com os índios, e fotografias.
Em 1996, em comemoração aos 16 anos da retomada da caiçara pelo povo Xokó, foi atualizado os dados da exposição Xokó Hoje, e percebendo que as informações contidas nesta última estavam defasadas, fez-se uma reformulação nos elementos expositivos e mudou o nome para Xokó: presença indígena em Sergipe. Tal fato foi observado após estudo de um catálogo das exposições, produzido pela professora Beatriz Gois Dantas, no qual a mesma descreve sobre a elaboração das exposições concebidas pelo Núcleo de Antropologia. Neste catálogo foram anexadas fotografias de quando a exposição foi apresentada ao público, ao observá-las pode-se constatar que alguns materiais da exposição Xokó Hoje, são idênticos àqueles encontrados na exposição Xokó: presença indígena em Sergipe.
Por esse motivo, pode-se considerar que o objetivo da criação da exposição Xokó: presença indígena em Sergipe era semelhante ao da exposição anterior.
Com o auxílio de fotografias localizadas no acervo do MUHSE pode-se perceber que a exposição Xokó: Presença indígena em Sergipe foi reproduzida, no mínimo, duas vezes; em 1996 e em 1999 no CULTART. Da reprodução de ano de 1996, não foi encontrado material ou projeto da exposição. Porém, da remontagem de 1999, encontrou-se grande parte dos elementos.
 Proposta Conceitual:
Ao elaborar esta exposição, a proposta conceitual era a de discutir e refletir sobre a história e a realidade dos índios Xokó pós-retomada da Caiçara

8. Desse modo, informar a sociedade sergipana da existência e da reafirmação da identidade cultural dos índios.
8 Caiçara é a denominação comum de território costeiro. No caso dos Índios Xokó, em Sergipe esse território corresponde à faixa litorânea próxima a Ilha de São Pedro-Porto da Folha/SE.

 
Linguagem de Apoio:

Linguagem Verbal:
Títulos:
Os títulos da exposição são apresentados nos painéis de abertura acompanhados por gravuras ou desenhos que sugerem a temática.
Textos:
A proposta museológica das exposições atendia de forma eficaz as condições de visualização dos textos e suas legendas por apresentarem formas e tamanhos adequados ao público alvo.
Os textos eram de fácil assimilação e o modo em que foram dispostos, permitia que várias pessoas pudessem ler o conteúdo simultaneamente. No entanto, as condições de reprodução dos textos da época em que foram elaboradas as exposições, não permitiam um conforto na visualização gráfica dos mesmos.
Etiquetas:
As etiquetas, geralmente, apresentam tamanhos de letras maiores, por exemplo, os créditos da exposição, e legendas dos objetos expostos. Apresentam tamanhos relativamente maiores das demais.



Linguagem Iconográfica:
A linguagem iconográfica de uma exposição deve ser constituída de elementos que permitam ao visitante conceber a ideia do que esta sendo exposto, sem a necessidade de ler os textos respectivos.
Como o público alvo das exposições estudadas para confecção deste artigo era principalmente estudantes do ensino de 1º e 2º graus (atual ensino fundamental e médio), a linguagem iconografia exigia uma elaboração lúdica e de simples assimilação.
Nas exposições eram utilizadas fotografias, textos, fotocópias, mapas e objetos típicos da cultura indígena. Tais objetos ainda fazem parte do acervo do Museu do Homem Sergipano.
 Relação Museu-Escola:
O Projeto Museu-escola da exposição Xokó: Presença indígena em Sergipe é coordenado pela professora Maria do Socorro A. Secundo, e pretendia aproximar o

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educado a instituição museal, o que difere do objetivo das exposições realizadas pelo núcleo do antropologia que promovia a extensão da universidade as escola.
Considerações da avaliação:
A exposição Xokó: Presença indígena em Sergipe pode ser restaurada em outro suporte, pois seus elementos são fotografias e fotocópias de textos e suas originais podem ser facilmente encontradas. Quanto aos desenhos, também podem ser reproduzidos e os objetos indígenas, após levantamento na reserva técnica do MUHSE, alguns foram encontrados.
b) O Nu e o Vestido-1982
Temática
A exposição O Nu e Vestido foi apresentada ao público no ano de 1982, pela primeira vez na galeria Jordão de Oliveira /UFS, no ano seguinte foi montada no Instituto de Educação Rui Barbosa e a ultima montagem foi em 1991 no Museu Histórico de Sergipe na cidade de São Cristóvão. A exposição tenta desconstruir a ideia cristalizada na sociedade de classificar a cultura e origem pelos estereótipos. Mostrando com um título bastante sugestivo: "O Nu e o Vestido", que ser índio não implica em características físicas, e sim a conservação de sua identidade cultural.
Avaliação
 Proposta conceitual
A exposição provoca uma reflexão sobre a situação atual de grupos indígenas em todas as regiões do Brasil. É retratada nos painéis, a partir de cartazes e fotocópias, a população, seus costumes, e as dificuldades de cada grupo em suas respectivas regiões ocupadas no país.
 Linguagem de apoio



Linguagem verbal
Títulos
O tamanho das letras referente aos títulos da exposição é de fácil visualização e são sempre explicados de acordo com o assunto abordado.

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Textos
Os textos da exposição são compostos por pequenos cartazes que proporcionam uma má visualização, pois o tamanho das letras utilizadas exige que o visitante se aproxime demasiadamente para ler os textos.
Etiquetas
As etiquetas corespondem a mesma dinâmica dos textos, letras de pequeno porte que dificulta a visualização.
 Linguagem iconográfica
Quanto a linguagem iconográfica, a exposição dispõe de cartazes e fotografias que foram retiradas de revista, auxiliando assim, na rápida assimilação do conteúdo.
 Relação Museu-escola
Desta exposição não foi localizada o projeto educativo, deste modo, não é possível relatar sobre essa relação. Apenas a existência de fichas de empréstimo da exposição, por parte das escolas, é que comprovam que a mesma foi utilizada para este fim.
c) O Índio nos Jornais- 1986
Temática:
A exposição O Índio nos Jornais mostra, a partir de recortes de jornais, a luta do povo indígena por suas terras e seu lugar na sociedade brasileira.
Avaliação:
 Proposta conceitual:
Utilizando recortes de jornais, de renome nacional, e trechos do Diário do Imperador D. Pedro II, o Setor de Antropologia leva à público a discussão sobre a posse de terra que os índios buscavam. Assim como, a luta pelo espaço e reconhecimento no Brasil.
 Linguagem de Apoio:



Linguagem Verbal:
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Na análise e catalogação das exposições existem alguns problemas quanto à localização dos elementos. Como o caso da exposição O Índio nos Jornais, que a falta de elementos impossibilitam a análise da exposição neste sentido, por não ser encontrado nada referente a títulos e etiquetas.
Textos
Os textos que compõem a referida exposição são matérias de caráter jornalístico, desta forma a qualidade do papel utilizado para a impressão não favorece uma leitura confortável, exigindo que os visitantes aproximarem-se demasiadamente dos painéis para ler as noticias. Com a linguagem utilizada nas exposições não é atrativa ao publico infantil, além de dispor de uma linguagem incompatível com nível de formação de alguns visitantes. O tamanho das letras utilizadas nos textos dificulta a visualização, impedindo que muitas pessoas leiam um texto ao mesmo tempo.
 Relação museu-escola
Não foi localizado nenhum projeto educativo na embalagem da exposição, sendo assim, a avaliação neste aspecto não é possível.
Considerações da avaliação
A exposição é uma das mais comprometidas no que se refere ao número de elementos encontrados, não foi localizado o projeto e o mapa museográfico, impedindo a remontagem e a catalogação da mesma.
Quanto à transferência do material expositivo não será possível, pois está em elevado grau de deterioração e incompleta.
d) O Avesso da Conquista-1990
A exposição O Avesso da Conquista foi elaborada em comemoração ao IV Centenário da Conquista de Sergipe, e consistia em mostrar a consequência dessa batalha para os índios que habitavam essas terras. Já que, estes últimos foram subjulgados pelos europeus e aniquilados em sua maioria.
A exposição foi reproduzida de modo sintético e exposta uma única vez. Visto que fazia parte de um trabalho que ainda estava em andamento no Setor de Antropologia, e mais tarde veio a incorporar a exposição O Índio em Sergipe, no mesmo ano. Como consequência, esta exposição não pode ser avaliada como as demais.

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Considerações da avaliação:
Desta exposição apenas foi localizado nenhum elemento referente à mesma, dessa forma é impossível a reprodução da mostra em outro suporte.
e) O Índio em Sergipe-1990
Temática
Essa exposição conduz o visitante num percurso linear da história dos índios de Sergipe no contexto nacional, desde a chegada dos europeus em 1500 até a retomada da Caiçara, pelos índios Xokó. O Setor de Antropologia promoveu a exposição em comemoração ao IV Centenário da Conquista de Sergipe, como cita a professora Beatriz Góis Dantas:


"O ano de 1990 marcará o VI Centenário da Conquista de Sergipe, (...). O momento é pois adequado para uma discussão sobre os índios que, enquanto habitantes dos territórios conquistados, sofreram em suas populações, sociedades e culturas, o impacto da conquista e da colonização"(DANTAS, 1989, p. 1)


Avaliação
 Proposta Conceitual:
Levar o público a refletir sobre os processos sofridos pelos índios, durante os quatrocentos anos após a conquista do território sergipano. Juntamente com O Avesso da Conquista, a exposição O Índio em Sergipe, fez parte da comemoração do IV Centenário da Conquista de Sergipe.
 Linguagem de Apoio:



Linguagem Verbal:
Títulos
A estrutura da exposição referida dispõe de títulos que são facilmente compreendidos pelos visitantes, As letras têm tamanhos e formas adequados que permitem uma ampla e agradável visualização dos elementos nos painéis.
Textos

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Os textos que compõe a exposição foram dispostos de forma que permitia a ampla visualização, uma vez que eles eram expostos em suporte de papel.
Etiquetas
A maioria das etiquetas que foram utilizadas na exposição foi localizada durante a catalogação da exposição. As etiquetas e legendas têm letras de tamanho favorável para que ler, além de terem sido dispostas de forma que promovia a rápida assimilação com o assunto e objetos expostos.



Linguagem Iconográfica
Quanto à linguagem iconográfica a exposição dispõe de muitas gravuras, desenhos, mapas e cartazes que contam a história do índio em Sergipe de forma lúdica e didática promovendo a rápida absorção do conhecimento.
 Relação Museu-Escola:
Com relação ao projeto museu-escola, a professora Beatriz G. Dantas discorre:


"(...), pois muito mais do que ser simplesmente vista, a exposição tem como proposta envolver professores e alunos num trabalho pedagógico mais consequente, no sentido de levar à reflexão sobre a presença e o papel do índio na sociedade sergipana e brasileira. Concebida desde suas origens como uma exposição didática, ao integrar-se às atividades do Projeto Museu-escola procurou-se por em prática a função educativa atribuída aos museus." (DANTAS, 1989, p. 4)


O projeto museu-escola na exposição O índio em Sergipe foi bastante atuante, segundo analise nas fichas de empréstimo da exposição nota-se que ela percorreu ao longo do ano de 1990 a 1991 inúmeras escolas e atendendo a mais de 120 professores e cerca de 7000 pessoas.

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5- Considerações Finais:

As exposições itinerantes do Museu do Homem Sergipano são fontes para os estudos da história cultural de Sergipe, mas o que se configura é a necessidade de transforma-las em outro suporte. Após a avaliação que gerou este artigo pode-se sugerir que algumas destas exposições estão aptas para tanto, e outras não. Há exposições que dispõe de material que para ser novamente publicados, porém será necessária a atualização das informações.
Vale ressaltar que apenas cinco exposições com temática indígena foram retratadas neste estudo. O trabalho de catalogação e avaliação das demais exposições terá continuidade, até que as restantes passem pelo mesmo processo. O trabalho de catalogação e, quando possível, a substituição de suporte é imprescindível para que estas exposições possam continuar sendo objeto de pesquisa e continuar a promover a interação de trabalhos acadêmicos da UFS com o ensino básico.

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Referências Bibliográficas:


ALMEIDA, Adriana Mortara.

A Relação do Público com o Museu do Instituto Butantan: Análise da exposição ‘Na Natureza não existem vilões’. São Paulo. Escola de Comunicações. Universidade de São Paulo, 1995.
ANDRADE, Crécia Maria; LIMA, Marcos Paulo Carvalho.
DANTAS, Beatriz Góis.

Catálogo: 1981-1992.
FREIRE, Priscila. Apresentação. In: GIRAUDY, Danièle; BOUILHET, Henri.

O Museu e a Vida. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró-Memória; Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro; Belo Horizonte; UFMG, 1990.
NUNES, Verônica. O Museu do Homem Sergipano.

Patrimônio e Memória. UNESP-FCLAs-CEDAP, 2010, v.6, n.2, P. 78-96, dez.
REUNIÃO DE ANTROPOLOGIA DO NORTE E DO NORDESTE, IV, 1995, João Pessoa.

Do Campus para as Escolas: uso da fotografia na divulgação de pesquisas e na integração de saberes. João Pessoa. GT Antropologia Visual, 1995.

domingo, 16 de setembro de 2012

Chegada da Mata Para a Dança do Toré na Aldeia Xokó

Ilha de São Pedro/Comunidade Indígena Xokó

Por Bárbara Barbosa dos Santos



O 09 de Setembro de 2012 - A Histórica Festa de Retomada da Ilha de São Pedro e Casamento do Cacique Bá

O princípio

O dia nove de setembro para muitos apenas um domingo como outro qualquer. Porém em um lugar a aproximadamente 200 quilômetros de Aracaju mais precisamente na Ilha de São Pedro, a Comunidade Indígena Xokó, tinham dois grandes motivos para comemorar. O primeiro é que esta data representa (A chegada a Ilha de São Pedro momento indelével para História de Sergipe), a inesquecível luta desses bravos guerreiros que atravessou gerações tendo como uma das lideranças Apolônio Xokó, chegando por três oportunidades ao posto de cacique. Fatos marcantes contam a Luta do Povo Xokó, um desses importantes momentos foi, junto ao então Procurador da Republica Evaldo Campos, apoio tão esperado adotando a causa como prioridade antes da sua aposentadoria consagrando, portanto, vitoriosa à causa em prol dos Índios Xokó da Ilha de São Pedro.

No dia 09 de setembro de 2012, dois momentos atraíram pessoas de diversos lugares, a primeira razão é a histórica comemoração da chegada a Ilha de São Pedro, completando 33 anos de retomada, a segunda razão comemorativa foi o casamento de dois jovens índios, o cacique Bá 29 anos de idade com a jovem Daniele Xokó.
A chegada

Sábado 8 de setembro após três horas de viagem chegamos à comunidade Xokó, por todos os cantos burburinhos crianças correndo, jovens e adultos espalhados, no imenso pátio formavam grupos aleatórios que se reuniam em frente às casas ou circulavam pela aldeia. Tudo em volta era o prenuncio de festa, a alegria contagiava a todos, logo fomos recepcionados pela família de Sr. Raimundo (Pajé) e em seguida por Apolônio Xokó (ex-cacique), que nos conduziu a uma das casas para nos acomodar com nossas “tralhas”. Éramos um grupo com sete pessoas. Na mesma noite fomos convidados a jantar na casa do pajé Raimundo Xokó, diga-se de passagem, que recepção maravilhosa e o mais surpreendente é que no dia seguinte a confirmação de que o povo Xokó não são apenas guerreiros, eles, sobretudo são hospitaleiros e cativantes, essa confirmação está no registro dos dois dias em que ficamos fazendo nossas refeições na casa de Mauro e Yara Xokó que se dedicavam em nos servir em cada refeição o que eles tinham de melhor, e aqui nos referimos ao alimento disposto à mesa e ao alimento espiritual: a amizade.

As quatro da manha do sábado para o domingo fomos surpreendidos pelo barulho dos fogos, era o anuncio de que aquele Dia não era um dia qualquer era o grito que agora saia com a força do peito e ecoava em todos os cantos da Ilha de São Pedro e da Caiçara desde o 9 de setembro do ano 1979 quando os remanescentes Xokó tiveram sua terra de volta, era também a união do jovem cacique Bá com sua amada Daniele Xokó. Nesse momento a pisada forte e o entoar de um canto faz-se ouvir, é o ritual do Toré uma das grandes expressões da força, espiritualidade e resistência dos índios. Parecendo que estávamos comandados pelo efusivo ritual sem perceber, assim como outros não índios levados a participar da referida dança que teve o seu termino as cinco e trinta da manha.

 A Cerimônia de Casamento

Era 10h e 40min da manha, estávamos todos a postos, olhos voltados para o caminho que dá às matas, ávidos de curiosidade aguardando o retorno dos índios da caiçara, fotógrafos profissionais, amadores, acadêmicos, pesquisadores, todos procurando um local estratégico para registrar o acontecimento, com câmeras fotográficas ou pelo celular todos, queriam guardar esse momento. De repente surge um grupo de índios com seus trajes tradicionais ao som de maracás e entoando um canto que enterneceria até o coração mais bruto, era um “que” de força, vida, nostalgia e virilidade, trazendo com eles o noivo cacique Bá. Em seguida outro grupo surge, desta vez só índias participavam, com elas a noiva Daniele Xokó, ambos os grupos se dirigiram para o centro do pátio, onde já esperava o Pajé Raimundo Xokó e sua esposa, para receber os noivos e ali começava um dos mais belos cerimoniais já visto pelos presentes. Foi uma cerimonia única até então não vivida pelos próprios remanescentes Xokó da Ilha de São Pedro.

  

Carlos Sena e Paulinho Carvalho

domingo, 29 de julho de 2012

LUTA DO POVO XOKÓ


LUTA DO POVO XOKÓ

Ao longo desses anos o povo indígena Xokó vem construindo o mundo com maturidade organização e prazer. Mesmo assim, fomos chamados de índios atrasados e incapazes. Essa violência nos doeu muito e foram batalhas que valeram muitas vidas, povos inteiros foram destruídos. Grandes homens e mulheres morreram por acreditar em viver enquanto povo livre e com um jeito próprio de entender e viver a vida. Tudo isso nos tornou experiente, pois a dor machuca, mas também ensina.(Apolonio Xokó).
 Sergipe foi povoado por outros grupos indígenas, exemplo Água Azeda em São Cristóvão, Japaratuba, Pacatuba, Tomar do Geru, entre outros. Infelizmente 500 anos depois o único grupo que sobreviveu ao massacre (genocídio) foram os bravos, guerreiros, Xokó da Ilha de São Pedro, que continuam de pé até os dias atuais.
Durante o governo de Afonso F. de Castro, em 1672, foi fundada pelos capuchinhos franceses a Missão de São Pedro de Porto da Folha, que, segundo tradição oral, seria delimitada por seis marcos de pedra afixados pelos primeiros conquistadores, espanhóis e portugueses, em 1653 (FIGUEIREDO, 1981, p. 88). Tendo como principal missionário o Frei Anastácio, que permaneceu nessa redução por mais de seis anos, foi reconhecida por Vila de Traipu ou São Pedro de Porto da Folha. Uma das construções religiosas religiosa dos missionários capuchinhos franceses no Estado de Sergipe, temos a Igreja de São Pedro, construção final do século dezessete início século dezoito (XVII/XVIII) administrada pela Diocese de Propriá, tombada pelo Governo do Estado, Decreto nº 6.127, de 06 de janeiro de 1984, localizada na Ilha de São Pedro.
Em 1712 à 1716, informações do Frei Martin de Nantes, os missionários começaram a construir conventos destinados a preservar as missões católicas dos povos indígenas.
Iniciando nosso breve histórico sobre a Luta do Povo Xokó, em 1724, a população indígena Xokó eram 320 índios, já em 1758 esse número foi reduzido a 250 Xokó. Em 1802 tivemos informações que no sertão pernambucano haviam um pequeno grupo de índio Xokó, fato esse que não são confirmados. Em 1821 foi criado a freguesia de São Pedro, com isso um sacerdote conhecido como Gaspar Farias Bulcão, foi nomeado para cuidar da aldeia dos índios Xokó. 1838 o escritor George Gardinen, visita a Ilha de São Pedro e descreve-a como um retângulo. Já em 1849, Frei Cândido de Taggia, afirmava que os índios Xokó apenas trabalhava, mas não tinha lucro em nada, devido a cegueira etnocêntrica do homem dito civilizado.
Em 1859, D. Pedro II em sua viagem pelo Rio São Francisco, saindo da cidade histórica de Penedo, tinha como objetivo visitar a cachoeira de Paulo Afonso na Bahia, quando na oportunidade, passando em frente a Ilha de São Pedro, o barco que conduzia o imperador faltou vento, com isso, ele e sua comitiva encostaram em nossa aldeia ficando alojado durante três dias. Foi naquele momento que o povo indígena Xokó pediu ao senhor rei que delimitasse o território indígena das fazendas em volta. O imperador atendeu e mandou delimitar e demarcar a área em questão a favor da comunidade indígena Xokó, por sua vez, o Presidente da Província em Sergipe, Sr. Amâncio João Pereira de Andrade, ao saber da demarcação da reserva indígena, uma área excelente para criação do rebanho bovino, fez uma declaração que dizia o seguinte: na aldeia não há se quer uma casa, os índios Xokó eram povos miseráveis. 1870, o Presidente da Província de Sergipe, Sr. Francisco José Cardoso Júnior, faz referencia aos índios Xokó, afirmando que os mesmos são primitivos, que possuem um légua de terra e que ainda falam a língua NEENHATHU, com o passar do tempo a língua é proibida de ser falada principalmente com as chegadas dos missionários italianos, isso ocorreu no ano de 1849, entre os missionários tão badalado conhecido na região, o frei Doroteu de Loreto. Segundo comentários ele prestou grande assistência espiritual a comunidade indígena Xokó, naquele mesmo ano o coronel João Fernandes da Silva Tavares, proprietário da fazenda Araticum assume a direção geral dos índios em Sergipe. Já em 1874, com ordem para demarcar e delimitar as terras indígenas e exercer vigilância entre as relações dos homens brancos e os índios, bem como preservar a missão católica nas aldeias. Nesta luta heróica do povo indígena Xokó, nenhuma autoridade deste Estado nada fez em defesa dos direitos de ir e vir do nosso povo. Os jornais da época Gazeta de Aracaju, em 07 de outubro de 1882, apóia a família Tavares, já o jornal Democrata de Sergipe em 21 de outubro do mesmo ano e a locomotiva de Piranhas apóia o coronel Gouveia Lima. 1888 em 14 de fevereiro foi realizada uma sessão na Câmara Municipal de Porto de Folha encaminha ofício ao Presidente da Província de Sergipe, Sr. Olímpio Manoel dos Santos Vidal solicitando do mesmo que seja entregue ao município de Porto da Folha as terras pertencentes aos índios Xokó, alegando que foi extinto o aldeiamento conforme a Lei Imperial nº 3348 de 20 de outubro de 1887. Em outra sessão realizada em 06 de março de 1888, presente nesta seção os seguintes vereadores: Francisco Alves Campos, Francisco Antônio de Oliveira, Capitão Felix Moreira de Souza Feitosa, Felix de Souza Lima, Alferes Francisco Alves de Sà e Miguel Alves Feitosa, nesta data a Câmara Municipal de Porto da Folha, resolve por sua livre vontade, por em arrematação todo o território indígena Xokó entregando aos senhores coronel Clementino Fernandes da Silva Tavares, capitão Belarmínio Fernandes da Silva Tavares, capitão José Antonio de Souza, pantaleão José da Silva Oliveira e Francisco Alves de Lima. Já no dia 07 de março 1888, a Câmara de Vereadores de Porto da Folha beneficia o Coronel Antônio Alves de Gouveia Lima que requer admissão dos lotes que não foram arrematados, sendo assim o território indígena na concepção da Câmara de Vereadores passam a ser dos coronéis e amigos, coube a Câmara apenas se responsabilizar para providenciar a lavratura de todos os contratos assinados e escriturados em livros especiais, tendo como validade dez anos, ficando proibido a venda, troca ou qualquer outro tipo de alienação só com o consentimento do Conselho Municipal. As datas de 06 e 07 de março de 1888, não faz referencia aos dois lotes restantes.  Dessa forma, aumenta a odisséia do povo indígena Xokó que reclamam, gritam, protestam e não são escutados por ninguém. Desta vez o Governo da Província de Sergipe se torna cegas e mudas, alguns índios Xokó, viajam ao Rio de Janeiro onde vão pedir proteção ao Ministro Antônio Prado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas que enviam ofícios em 20 de agosto de 1888 ao Presidente da Província, Sr. Francisco de Paula P. Pimenta informando que os índios: Pacífico de Barros, Genuíno Serafim, Manoel Esteve dos Santos e Lourenço Maurilho que foram reclamar o que ocorreu em seus territórios. O ministro solicita providencias que possam proteger a comunidade indígena Xokó, mas nada foi feito. Já em 1890 os índios Xokó Francisco Sabino Pires, Francisco de Matias de Souza e Antonio Venancio Ribeiro voltam a bater à porta do Governo Central no Rio de Janeiro, Sr. Demétrio Nunes Ferreira, que comunica em 17 de janeiro de 1890, ao Presidente da Província desta visita como sempre cai no esquecimento novamente a questão indígena. Em 01 de março de 1895, o coronel João Fernandes de Britto, aparece como intendente de Porto da Folha, com isso torna-se em 22 de novembro de 1897, na qualidade de foreiro dos 05 lotes dos 08 que estava dividida a área aforada. Em 1917, os índios Xokó novamente voltam a Rio de Janeiro, sendo eles: Inocêncio Pires, Francisco Matias de Souza e Manoel Francisco da Silva e mais uma vez não foram atendidos pelas autoridades governamentais. Em 1930, no governo do Sr. Maynard Gomes outras tentativas foram frustradas por sua vez o Prefeito de Porto da Folha o Sr. Pedro Xavier de Melo, encaminha mensagem a Câmara de Vereadores, pedindo em 25 de outubro de 1963 a autorização para vender as fazendas: Belém, Maria Preta e Malhada do Imbuzeiro. O Governador João de Seixas Dória por ação ou omissão conivente com essa agressão aos índios Xokó, que tem a posse imemorial das terras e goza antes mesmos da Constituição Federal “art. 129” de Proteção Possessória, Decreto nº21235 de 02 de abril de 1982, asseguram aos estados o domínio dos terrenos marginais e acrescido dos rios navegáveis que ocorrem em seu território, a Constituição de 1937, art. 154 e a Constituição de 1946, art. 216, não contrariam os direitos dos povos indígenas. No mesmo dia da mensagem do prefeito em 25 de outubro de 1963, Câmara Municipal de Vereadores de Porto da Folha, se reúnem às 09 horas sobre a Presidência de José Pereira, estavam presentes os vereadores Manoel Alcino dos Santos, José Batista da Silva, Raimundo José Cardoso e Francisco Alves Lima. Analisaram o projeto Lei nº10 do Executivo Municipal, com isso foi marcada uma sessão Extraordinária para as 14 horas do mesmo dia tendo em vista não houve acordo entre os mesmos. Quando discutiram pela primeira vez o projeto. Uma Terceira sessão Extraordinária foi marcada para as 16 horas e finalmente as 17 horas foi aprovado por unanimidade o projeto do Executivo o que é mais grave em tudo isso, até hoje ninguém sabe onde está a mensagem do prefeito. Em 1964 outra vez lideranças indígenas Xokó, vão reclamar e pedir ao Senhor Presidente da República, providencias urgentes quanto a posse da Ilha de São Pedro em Porto da Folha, mas uma vez, não fomos atendidos.
Seguindo este breve histórico sobre os Xokó da Ilha de São Pedro, em março de 1978, eram 22 famílias morando na Caiçara tendo como fonte de sobrevivência a produção da cerâmica, pesca e o cultivo do arroz, do milho, do feijão e etc. Naquela época a família Britto de Propriá contrariando as vontades de 129 pessoas, proíbem do trabalho do cultivo da lavoura acima citado, bem como da produção da cerâmica e pesca, mesmo com o ato proibitório, as 22 famílias se reúnem e começam a discutir o futuro do seu povo, mesmo sendo sabedor desta proibição, o remanescentes Xokó decidem continuar trabalhando como se nada estivesse acontecendo. Plantaram, mas não colheram, na época da colheita, ou seja, agosto a dezembro, a família Britto colocavam o gado e destruíram em sua totalidade, tudo que tinha sido plantado.
 Em 28 de outubro de 1978, a Diocese de Propriá, realiza a primeira Romaria em Comemoração aos Cem Anos da Morte do Missionário Italiano Frei Doroteo de Loreto. 12 de setembro do mesmo ano, um pequeno grupo de cinco pessoas, vão a cidade de Porto da Folha para comprar 16 bolas de arame farpado e 16 quilos de grampos. No período de 13 a 16 de setembro foi cercado a Ilha de São Pedro com apoio da Diocese de Propriá na pessoa do bispo Dom José Brandão de Castro, Paróquia de Porto da Folha na pessoa de frei Enoque, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto da Folha na pessoa do presidente Manoel Oliveira, no dia seguinte, após o cercamento, ou seja, dia 17 um sábado por volta das nove horas da manhã chegava um fusca na barra com dois homens dizendo serem jornalistas da Bahia e que estavam aqui a convite do então Bispo de Propriá, Dom José Brandão de Castro, sendo assim conduziram os dois cidadãos até a Ilha de São Pedro, onde fotografaram a Igreja, ouviram do povo Xokó parte da sua história e oque os levaram a tomar a decisão de cercar a ilha. Quando eles estavam indo embora é que descobriram que não se tratavam de jornalistas nenhum, eram mensageiros da família Britto de Propriá. 09 de setembro de 1979 as 22 famílias da Caiçara e mais 04 que moravam no Belém foram expulsas pela família Britto, ao chegar na Ilha de São Pedro naquele ano encontraram apenas a igreja, as ruínas de um convento o cemitério, uma pequena casa de taipa e os pés de tamarindo, juazeiro, quixabeira, que serviram  ao longo de dois anos como casas. Outubro de 1979, Cimi (Conselho Indigenistas Missionário) realiza na Ilha de São Pedro a 13ª Assembléia dos Povos Indígenas do Nordeste com a participação das aldeias Tucano do Amazonas, Xavante Itapirapé de Mato Grosso, 07 de dezembro de 1979, o então Governador do Estado de Sergipe, Sr. Augusto Franco, desapropria a Ilha de São Pedro, pagando na época dois milhões e quatrocentos mil cruzeiros, a família Britto de Propriá, 08 de dezembro, frei Enoque convida o povo indígena Xokó, à participar da festa da padroeira de Porto da Folha, Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição e juntos celebrarmos a nossa vitória naquela cidade. Outubro de 1982, a família Britto de Propriá vende a terra Caiçara ao fazendeiro Jorge de Medeiros Pacheco com recursos oriundos do Banco do Nordeste do Brasil. 1984, era exatamente 27 de junho quando no Palácio Olímpio Campos, o então Governador de Sergipe, o Senhor João Alves Filho, recebe naquela tarde o Presidente da Funai, o Sr. Jurandi Marcos da Fonseca, Sr. Leonardo Reis Delegado da Funai para região nordeste, Prefeito de Porto da Folha, Sr. Antônio de Caio Feitosa e uma pequena comissão do povo Xokó, Paulo Acássio, Damião, Raimundo, Manoel de Lulu e  Apolônio Xokó, naquela solenidade foi passado do Estado para União e da União para a Funai a documentação da Ilha de São Pedro. Em 1985, em uma grande assembléia realizada na aldeia Xokó, ficou definido que o Cacique Xokó teria uma missão de certa forma espinhosa, ir à Brasília com o objetivo de discutir junto a Presidência da Funai para trazer a equipe técnica formada de: um antropólogo, um advogado, um engenheiro, um técnico para proceder com o processo de demarcação da terra Caiçara. Ao chegar na aldeia a equipe fez uma reunião com a liderança e a comunidade onde comunicou que estavam aqui para proceder com o processo demarcatório da área indígena Caiçara. Os fazendeiros foram comunicados deste trabalho e no dia seguinte começou o processo de delimitação e demarcação que durou apenas 04 dias, foi quando os fazendeiros comunicaram ao Juiz da Comarca de Porto da Folha, o Sr. Francisco Melo de Novaes e o Ilustre Juiz suspende os trabalhos técnicos da Funai com uma liminar dos fazendeiros. Já em 1986 o povo Xokó através do seu Cacique traz pela segunda vez a equipe técnica que em uma grande reunião na cidade de Pão de Açúcar, entre Funai e Fazendeiros, o senhor Jorge Pacheco ao informar a Funai que tinha 200 homens fortemente armados de espingardas calibre 12, com ordens expressas para matar que entrasse na Caiçara a Funai de Pão de Açúcar retorna à Aracaju e de Aracaju à Brasília, deixando a comunidade indígena Xokó, sem nenhuma solução.
Em 31 de agosto de 1987 o povo indígena Xokó, decide ocupar a Fazenda Caiçara, não foram bem sucedidos devido o fracasso mais uma vez da Funai. O Sr. Francisco Melo de Novaes, que atendendo mais uma vez pedido dos fazendeiros solicita do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de Sergipe que fossem tomadas medidas enérgicas contra o povo indígena Xokó. Sendo assim, expulsos naquela tarde do dia 01 de setembro de 1987, como se fossem bandidos e marginais, no dia seguinte um pequeno grupo do povo indígena Xokó acampa na Sede da Funai em Maceió/Al, com o objetivo de pressionar o órgão “tutor” para  resolver nossos problemas.
Em 28 de outubro de 1887 a Procuradoria Geral da República em Sergipe através do Procurador Geral, o Sr. Evaldo Fernandes Campos, recebe pela primeira vez as liderança indígenas do povo Xokó, naquela oportunidade o procurador foi informado de toda a situação em que se encontrava a comunidade indígena Xokó. Após este relato o procurador informou que ia estudar a situação. Em 18 de janeiro de 1988, o Sr. Evaldo Fernandes Campos, convida a liderança indígena Xokó a comparecer em seu Gabinete e naquela manhã ele informava que a tarde estava dando entrada em uma Ação de Reintegração de Posse na 3ª Vara da Justiça Federal de Sergipe, movida pela Procuradoria Geral da República em favor da União. Nesta Ação ele solicita do Juiz Federal que a Funai órgão “tutor do índio brasileiro” fosse intimada, através de uma Carta Precatória para as conclusões do Processo Demarcatório da Área Indígena Caiçara. Em março do mesmo ano a equipe técnica da Funai, chega a Ilha de São Pedro acompanhada de oito agentes da polícia federal, os quais deram total segurança e garantia dos trabalhos. Em 24 de dezembro de 1991, o então Presidente da República, Senhor Fernando Collor de Melo, atendendo apelo do povo indígena Xokó, através do Decreto nº401/91, reconhece e decreta a área indígena Caiçara ocupada permanentemente pelos bravos guerreiros Xokó, homologada e registrada em Cartório de Ofício.
De 10 à 12 de maio 1993, o povo indígena Xokó realiza a primeira festa na Caiçara onde convida os amigos para celebrar esta grande vitória. Em 22 e 23 de maio o povo Xokó toma posse definitivamente da área indígena Caiçara, esta festa foi única e exclusiva para a comunidade celebra e festejar todos esses anos de lutas. Caminhada vitoriosa.



Apolônio Xokó
Marcos Paulo Carvalho Lima



BIBLIOGRAFIAS QUE TRATAM SOBRE OS XOKÓ: 1973-2011
Organizado pela Professora Antropóloga Beatriz Góis Dantas, por ocasião do I Seminário História dos Índios em Sergipe e Índios Xokó

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